Tem coisas que ouvimos, e que não prestamos atenção, principalmente quando criança. O comportamento dos adultos pode ser explicado com a forma que ele foi criado quando criança.
Vejam as cantigas antigas, por exemplo. Vou citar algumas:
1) A Barata
A barata diz que tem
Sete saias de filó.
É mentira da barata
Ela tem é uma só.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela tem é uma só!
A barata diz que tem
Um anel de formatura.
É mentira da barata
Ela tem é casca dura.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela tem é casca dura!
A barata diz que tem
Uma cama de marfim.
É mentira da barata
Ela dorme é no capim.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela dorme é no capim!
A barata diz que tem
Um sapato de fivela.
É mentira da barata
O sapato é da mãe dela.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
O sapato é da mãe dela!
A barata diz que tem
O cabelo cacheado.
É mentira da barata
Ela tem coco raspado.
Ha! Ha! Ho-Ho-Ho!
Ela tem coco raspado!
Veja bem a música. Ela faz menção à uma barata que, pelo visto, é bastante mentirosa. Além disso, quem conta a história ainda tira sarro da coitada.
Não bastante, isso é uma cançao infantil, sou seja, para crianças. Ensina sobre mentir e tirar sarro das pessoas que mentem. tudo isso de forma subliminar, porque as crianças nãovão parar pra pensar sobre a letra da música.
2) A Dona Aranha
A dona aranha subiu pela parede
veio a chuva forte e a derrubou
já passou a chuva e o sol já vai surgindo
e a dona aranha continua a subir
Para quem pensa que a música acaba aí, se engana: é repetiva pelo menos dez vezes. Imagine a tortura na criança, repetir uma música dessas a ponto de fixá-la na memória. Nem Hitler faria isso.
Foi daí que surgiu a aracnofobia.
3) Canoa virou
A canoa virou
Por deixá-la virar
Foi por causa da “Fulana”
Que não soube remar
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar
Tirava a “Fulana”
Do fundo do mar
Vejamos essa música. A canoa virou, isso é fato. Aí, pra se livrar, o cara joga a culpa na “Fulana” dizendo que ela não soube remar. Além disso, o cara arruma uma desculpa esfarrapada pra deixar a “Fulana” morrer afogada (ele só a salvaria se fosse um peixinho e soubesse nadar, como ele não é, então foda-se).
Está muito claro a mensagem para as crianças: quando alguma coisa der errada na sua vida, jogue a culpa em alguém, e se ela se prejudicar, não a ajude sob hipótese alguma, e quando solicitado, invente uma desculpatão esfarrapada quanto esta.
4) Atirei o pau no gato
Atirei o páu no gato tô tô
Mas o gato tô tô
Não morreu reu reu
Dona Chica cá
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu
Miau !!!!!!
Dá uma olhada na letra. O cara tacou o pau no gato, ficou chateado que ele não morreu, a Dona Chica (provavelmente uma senhora de idade avançada, que sofre de reumatismo, hipertensão, coitada) “admirou-se” (um termo mais sadio de dizer “tomou um susto”) com o berro do gato. É CLARO quer o gato vai berrar de dor!
Agora, me diz o que entende por isso… é incitação à violência!!! Depois as pessoas perguntam porquê existe violência no mundo. Cara, imagine a cena, um cara tacando um galho de árvore no gato, o gato berra, a Dona Chica (tricotando na varanda) salta da cadeira e tem um ataque cardíaco.
Agora imagine isso na mente de uma criança, ela vai crescer achando que “tacar o pau no gato” é correto, e aí passa não só a machucar os felinos, mas também os caninos e até as pessoas (e eu já vi muita criança tacar pedra em carro).
5) Boi da cara preta
Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esta criança que tem medo de careta
Não , não , não
Não pega ele não
Ele é bonitinho, ele chora coitadinho
Leia atentamente a primeira estrofe. A mãe sádica pede que um boi da cara preta (igual aquele do desenho do Pica-Pau) venha pegar o filho, porque ele tem medo de careta. Primeiro, que mãe é essa, que pede para atacarem seu filho? é uma mãe desnaturada! Segundo, que mal tem a criança ter medo de careta? Me responda, QUAL É a criança que NÃO TEM medo de nada?? Até eu tinha! XD
Agora, veja a segunda estrofe. A mãe percebe a cagada que fez, o boi tá vindo pegar a criança, aí ela resolve cancelar o pedido, dizendo que ele é bonitinho e que ele chora. Orra, Eu não queria uma mãe dessas pra mim não! Quer dizer que, se o bebê não chorar, o boi não o leva embora? Ué, se a mãe faz ele chorar (porque, se você for esperto, claro que vai chorar, sabendo que isso evita o sequestro), porque ela reclama que seu filho chora demais?
6) Cai cai balão
Cai cai balão
Cai cai balão, cai cai balão
Na rua do sabão
Não Cai não, não cai não, não cai não
Cai aqui na minha mão !
Cai cai balão, cai cai balão
Aqui na minha mão
Não vou lá, não vou lá, não vou lá
Tenho medo de apanhar !
Isso explica porque as pessoas insistem em soltar balões em área urbana. Quanta gente canta isso, quando vê um balão? A criança cresce com a idéiade soltar um balão só pra vê-lo cair em sua mão. Isso sem contar que também é uma incitação ao suicídio, visto queo balão vai cair na mão, e causar várias queimaduras, isso se não matar de vez. O que não entendo é a segunda estrofe, que faz com que a criança não corra atrás do balão (talvez porque ele tenha caído dentro de alguma fábrica, com 219381039283 pitbulls de guarda, ou qualquer outra coisa), mas mesmo assim deseje que ele caia em sua mão.
7) Marcha soldado
Marcha Soldado
Cabeça de Papel
Se não marchar direito
Vai preso pro quartel
O quartel pegou fogo
A polícia deu sinal
Acorda acorda acorda
A bandeira nacional
Agora essa daqui é sensacional. Primeiro ofende o soldado, chamando-o de “cabeça de papel”, ou seja, disse na lata que ele não tem mente. Segundo, explica à criança que, se não marchar direito, vai em cana, ou seja, desde pequeno o moleque já aprende a marchar. Depois, o quartel pegou fogo (talvez porque algum soldado se revoltou por ter sido chamado de “cabeça de papel”, ou por ter ido em cana por não ter marchado direito), e a POLÍCIA deu sinal (polícia no quartel? Então pra que servem os oficiais?). Depois eles tentam “acordar” a bandeira nacional, como se o o fato de hasteá-la apagasse o incêndio que tomou conta do quartel. Muito mais fácil arrancar a bandeira do mastro e tentar apagar o fogo com ela, não acha?
That’s all, for now. ^^